Arquivo para julho, 2011

Cabo Frio!…Histórias da minha praia…

MILAGRE

A consciência de fazer parte da vida e de ser um milagre me veio em Cabo Frio, naquela praia maravilhosa que eu amo muito: a praia do Forte. Eu tinha o costume de caminhar todos os dias pela manhã, cedinho. Após cada caminhada me alongava nadando no mar. Era uma maneira gozosa de coroar meu contato diário com a natureza. O mar é meu outro grande amor…

Lá estava eu, desfrutando daquele contato delicioso da água salgada e gelada na minha pele, quando distraída percebo algo bonito e grandioso acontecendo diante dos meus olhos: um cardume de peixes que saltando no ar, era iluminado pelo sol que o fazia pratear e dourar aleatoriamente. Em cima desse cardume, de onde peixes saltavam, algumas gaivotas voavam em círculo mergulhando uma a uma para tentar fisgar os peixes. Era uma tela viva pintada pela natureza e diante de mim. Me senti muito especial naquele momento por estar ali e poder ter olhos para ver e receber aquele lindo presente!

Então, de repente, aquela tela que estava realmente viva, começou a se mover. E pasmem, se movia na minha direção! Morri de medo e, por um segundo, pensei em fugir daquele contato. Não deu tempo! A tela viva me inseriu no contexto daquela obra de arte e me atravessou! Contornou o meu corpo e me acariciou com sua fluidez e por um momento aquele contato foi de um prazer, de um prazer… Naquele instante percebi que eu existia para aqueles peixes e gaivotas, pois nenhum deles bateu em mim, me empurrou, ou quis passar por dentro do meu corpo. Eles contornaram a minha pele cuidadosa e prazerosamente seguindo em fluxo o seu caminho. Me inseriram em sua história! Me fizeram sentir parte daquela tela, parte da vida e da natureza. Perplexa percebo que para eles, eu também existia. Fui às lágrimas, fiquei toda arrepiada, em êxtase com aquele presente da vida, mais ainda, por ser, eu também, um presente para a vida! Até hoje, não consigo transcrever a sensação…

Foi exatamente nesse lugar, que tudo aconteceu…

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Transtase

Transtase
       Na minha cabeça a percepção de que não somos apenas os filhos da vida, mas sim a sua própria expressão,  foi revolucionária.
       Meu querido pai, se chamou Luiz de Almeida, e era um homem que eu admirava muito. Um homem de muito bom humor e de um mau humor super engraçado. Um cara que me ensinou a não discriminar nenhuma pessoa, o cara que primeiro me mostrou que a vida era para ser celebrada e partilhada com alegria.
     Nós somos o planeta terra. Tudo que aqui nasce, aqui morre para o bem da vida. Se somos expressão de um planeta, se somos todos um, com qualquer pessoa que eu esteja, significa que estou comigo. Se me defendo do outro, estou me defendendo de mim. Se me entrego para o outro, estou me entregando à mim. Se cuido do outro, estou cuidando de mim. Se faço sexo, amor, o bem ou mal, estou fazendo a mim mesmo. Vocês entendem o nível de responsabilidade de cada um diante desse fato? A supressão do outro como algo estranho, algo que não me pertence, algo fora de mim, obrigaria o ser humano a se comprometer com sua própria espécie, com sua própria casa, com seu próprio organismo, o planeta Terra. Que por sua vez pertence a um sistema, que pertence a um…, que pertence,…que pertence, uma verdadeira boneca russa viva, embrulhada para presente!