Arquivo de setembro, 2013

Mais uma segunda…

Mais uma semana se inicia…é preciso vitalidade para sair do final de semana e entrar na rotina novamente…
Conectar com nossos desejos e criativamente, ir construindo um caminho em direção à eles, sabendo que convivemos também com os desejos do outro, e que eles são tão legítimos quanto os nossos…aí se inicia a ética!
DSCI2039Mas para isso é preciso ir além de si mesmo, é preciso preciso transcender do eu para o nós!

Reflorescendo…

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Um novo foco, uma nova tela se abre, uma nova Primavera!
Abrir os braços para o novo, de novo!
Caminhar com alegria, ativar os hormônios da imaginação, recriar a vida se recriando…
Colocar poesia e beleza em cada ato, um fato…possível?
Arejar os ambientes externos e internos..
Os ventos um constante convite a uma nova ordem de arranjo!…
E se pudéramos nós ser uma folha que entra pela porta da varanda, provocando um processo de limpeza no ambiente?…
Que sejamos primavera…Que venha o novo, de novo!
“Como uma árvore que transforma-se a cada primavera, nós também somos capazes de permanente reflorescer, ao nos conectarmos com os imensuráveis potenciais latentes e desabrochar” R.T.

Que nossos campos virgens se encham de lindas flores…

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“-Posso dizer tudo?
-Pode.
-Você compreenderia?
-Compreenderia. Eu sei de muito pouco.
Mas tenho a meu favor tudo o que eu não sei e, por ser um campo virgem, está livre de preconceitos.
Tudo o que eu não sei é a minha parte maior e melhor: é a minha largueza. É com ela que compreenderia tudo.
Tudo o que eu não sei é que constitui a minha verdade.”
Clarice Lispector.

Vem a mim oh música…


A música é um dos sete poderes da Biodanza…
Costumo dizer a meus alunos, que ela é sempre a vida nos chamando…Se ela te chamar para uma valsa, por favor não dance um samba…
Sábio seria sempre irmos nos colocando e recolocando a partir da música que a vida toca…Mas, para isso precisamos adquirir ouvidos para ouvi-la…
Lembrando que Orfeu, conseguiu com seu dom e sua música nada mais, nada menos que o grande feito de levar as pessoas a ouvir!…
Abrindo o canal da escuta, nos comunicamos de maneira mais afetiva e efetiva e ele se fez ouvir por todos os reinos!…Conseguir que Cérbero, Caronte e cia ltda o ouvisse foi um dos maiores feitos do mundo dos mitos!
Na proposta de Biodanza a consigna abre o caminho para a vivência, mas a música toca com ela no corpo…A arte, que Orfeu traz, consegue essa comunicação de sentimento para sentimento.
“Vem a mim oh música…” já dizia um de meus ORFEUS¨, João Nogueira!

O Mito… Orfeu e Eurídice

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Orfeu era o musico e poeta mais talentoso que já viveu. Quando tocava sua lira, os pássaros paravam de voar para escutar e os animais selvagens perdiam o medo. As árvores se curvavam para pegar os sons no vento.

Orfeu era casado com Euridyce. Mas Euridyce era tão bonita que atraiu o desejo de um homem chamado Aristeu. Quando ela recusou suas atenções, ele a perseguiu. Tentando escapar, ela tropeçou numa serpente que a picou e a matou.

Orfeu ficou transtornado de tristeza. Levando sua lira, foi até o Mundo dos Mortos, para tentar trazê-la de volta. A canção pungente e emocionada de sua lira convenceu o barqueiro, Caronte, a levá-lo vivo pelo Rio Estige. A canção da lira adormeceu Cérbero, o cão de três cabeças que vigiava os portões; seu tom carinhoso aliviou os tormentos dos condenados.

Finalmente, Orfeu chegou ao trono de Hades. O rei dos mortos ficou irritado ao ver que um vivo tinha entrado em seu domínio, mas a agonia na música de Orfeu o comoveu. Sua mulher Perséfone, implorou-lhe que atendesse ao pedido de Orfeu. Assim, Hades atendeu seu desejo. Euridyce poderia voltar com Orfeu ao mundo dos vivos. Mas com uma única condição: que ele não olhasse para ela até que ela, outra vez, estivesse à luz do sol.
Orfeu partiu pela trilha íngreme que levava para fora do escuro reino da morte, tocando sua harpa e sua voz num cântico de alegria, enquanto caminhavam, guiando a sombra de Euridyce de volta à vida. Ele não olhou nenhuma vez para trás, até atingir a luz do sol. Mas ai chegado, então se virou, para se certificar de que Euridyce o estava seguindo. Por um momento ele a viu, perto da saída do túnel escuro, perto da vida outra vez. Mas enquanto ele olhava, ela se tornou de novo um fino fantasma, e Orfeu ouviu seu grito de amor e pena, não mais do que um suspiro na brisa que saía do Mundo dos Mortos. Ele a perdera de novo.

Melancólico, Orfeu recusou-se a olhar para qualquer outra mulher, não querendo esquecer a perda de sua amada. Furiosas por serem desprezadas, um grupo de mulheres selvagens chamadas Mênades, mataram-no e, despedaçando-o, jogaram sua cabeça cortada no Rio Hebrus, onde ela flutuou, ainda cantando, “Euridyce! Euridyce!”

Chorando, as nove musas reuniram seus pedaços e os enterraram no Monte Olimpo. Dizem que, desde então, os rouxinóis das proximidades cantaram mais docemente do que os outros. Pois a alma de Orfeu, na morte, se ter unido a sua amada Euridyce.

Quanto às Mênades, que tão cruelmente mataram Orfeu, os deuses não lhes concederam a misericórdia da morte. Quando elas bateram os pés na terra, em triunfo, sentiram seus dedos se espicharem e entrarem no solo. Quanto mais tentavam tirá-los, mais profundamente eles se enraizavam. Suas pernas se tornaram madeira pesada, e também seus corpos, até que elas se transformaram em silenciosos carvalhos. E assim permaneceram pelos anos, batidas pelos ventos furiosos que antes se emocionavam ao som da lira de Orfeu, até que por fim seus troncos mortos e vazios caíram ao chão.

Orfeu e o dom de encantar…

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Edouard Schuré, filósofo e poeta francês (1841-1929), no seu livro “Os Grandes Iniciados” (Les Grands Initiés, Paris, 1889), escreveu sobre Orfeu (Livro V)

A Grécia pré-órfica – A Trácia – 1
“Nos templos de Apolo que guardavam a tradição órfica, a cada equinócio de primavera celebrava-se numa festa secreta a vinda anual do deus invisível de regresso do país hiperbóreo. A grande sacerdotisa entoava, perante alguns iniciados, o cântico do nascimento de Orfeu, filho de Apolo e de uma sacerdotisa deste deus, invocando a alma daquele que fora o pai dos místicos, o salvador melodioso dos homens, o rei imortal e três vezes coroado: no inferno, na terra e no céu, em que tem lugar entre os deuses e as estrelas.

Esse cântico místico da sacerdotisa de Delfos celebra o segredo apenas conhecido do Templo e ignorado do povo: Orfeu foi o anjo descido dos céus para despertar a alma mística da Grécia. Cada uma das sete cordas da lira de Orfeu despertou uma virtude da alma humana, uma lei das ciências e das artes, e as sete juntas vibravam em plena harmonia com todo o universo. Perdeu-se o cântico dessa plena harmonia, mas cada uma das ciências e das artes que Orfeu despertou na Grécia foram transmitidas pela civilização helénica a toda a Europa.

Vivemos numa época de (quase) plena devoção ao materialismo, em que a alma humana está perturbada pela perda da fé nas belezas naturais da vida e por correrias, angustias, depressões e outros “stresses”, doenças modernas que escondem uma profunda, inconsciente e invencível esperança de reencontrar um sentido harmonioso e espiritual à existência. E esta inconsciente esperança e teimosa fé na beleza da vida, o Ocidente deve-a a Orfeu, que iniciou a Grécia antiga à poesia e à música enquanto artes reveladoras da verdade eterna.”

Orfeu, dentre tantas e muitas nuances, nos remete ao poder de transformação que o dom exercido do fundo de nossa alma produz…Com seu dom em ação pôde visitar e transformar todos os reinos…Com seu dom em ação encantou os reinos animal, vegetal e mítico…inclusive o reino avernal. Nos fala também que dom sem alma, nos leva à perdição, ao esquartejamento do ser…

Os sete poderes da Biodanza através das sete cordas da lira de Orfeu…Vivenciar esses mistérios às vésperas do equinócio da Primavera…uma coincidência?…Rolando nos fala das 3 perguntas..uma delas, referente ao nosso dom…”O que eu quero fazer?”. Dentre todas as vocações, o que eu faço de mais bonito?…