E a Beleza, Onde Nasce?

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     Estava eu, na cozinha de minha casa, quando uma música tocou na rádio. Desde que me conheço por gente conheço e canto essa música, mas nunca, nunca antes daquele dia pude perceber o que ela realmente poderia me trazer de novidades.      
Estar aberto às novidades das velhas coisas, foi um atributo que adquiri com minhas vivências de Biodanza; a potencialização dos meus sentidos, também! Então creio que naquele dia, percebi que havia adquirido ouvidos de ouvir. A canção? Sei lá, Mangueira! Seu autor: Paulinho da Viola. Não sei se vocês sabem, mas Mangueira e Portela eram rivais muito fortes na época em que essa canção foi feita! Mas a beleza da canção era tanta e tão simples, e foi me tocando tão profundamente que comecei a imaginar o que levaria o Paulinho a compor algo tão sensível e belo para seu maior rival. E, se referindo a uma favela, local onde poucos sensíveis, conseguem sacar poesia…
…”E a beleza do lugar, pra se entender
    
Tem que se achar
    
Que a vida não é só isso que se vê
    
É um pouco mais”…
    Esse sentimento amoroso de beleza foi me tomando e  abrindo olhos de ver ” um pouco mais”!
“Sei, lá não sei…
Não sei se toda beleza de que lhes falo

Sai tão somente do meu coração”… , diz Paulinho.
E, então me perguntei: de onde vem a beleza? Onde nasce a beleza? Ela nasce do objeto ou de nossos olhos? A beleza nasce da disponibilidade para ver belo? Nasce então, no coração de quem olha?…Eram tantas questões surgindo, numa manhã tão igual, e tão diferente…
Me lembrei da palavra estética, que vem do grego aisthésis: percepção, sensação, inspiração. Pronto: inspiração!!! Inspirar: aquilo que te faz  prender o ar. Assim como uma máquina fotográfica, que por um segundo captura algo e traz para dentro…assim me sinto quando algo me toca de beleza!
Por um segundo, meu peito se abre para o novo que entra bem dentro do meu coração e transforma a minha vida…assim, como a canção do Paulinho!
A beleza então é uma sensação. Um sentimento amoroso, que nasce nos olhos de amar e ver, nos ouvidos de ouvir, nas mãos de pegar para capturar, incorporar, transformar e enriquecer …
Arte, biodanza, beleza, amor…
Em minha vida …”a poesia feito um mar se alastrou!”…
 
Leila Maria Augusta de Almeida
leila_biorio@yahoo.com.br
Facilitadora Didata em Biodanza- Grupos RJ e Cabo Frio
Letras/Literatura/Mitologia
Terapeuta Floral Joel Aleixo
Tarot Alquímico
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